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25.03.2026 | Comunicados - BRP

BRP e 75 líderes empresariais alertam von der Leyen e Montenegro

Em carta enviada à Comissão Europeia e ao XXV Governo da República, a Associação Business Roundtable e líderes executivos portuguesas alertam que a União Europeia não está a saber defender o seu modo de vida. O alerta surge numa altura em que está em curso o processo de revisão das políticas de concorrência, defendendo regras ambiciosas que resolvam o desfasamento de produtividade face aos EUA. Paula Amorim, Cláudia Azevedo, Carlos Mota Santos, Miguel Stilwell d’Andrade e Ana Figueiredo, entre outros signatários, aderiram ao apelo do BRP.
BRP e 75 líderes empresariais alertam von der Leyen e Montenegro

A Associação Business Roundtable Portugal (BRP) e 75 líderes empresariais alertam que a atual política europeia de concorrência está a comprometer a capacidade da Europa de sustentar o seu modelo económico, colocando em causa o seu modo de vida e a sua relevância global, defendendo uma reforma urgente que permita à União Europeia afirmar-se como “Open for business”.

A posição é expressa numa carta enviada à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, com conhecimento ao primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, no contexto da revisão em curso das políticas europeias de concorrência.

Os signatários sublinham que a Europa enfrenta um persistente desfasamento de produtividade face aos Estados Unidos, uma diminuição da presença entre as empresas líderes globais e uma perda gradual de influência política e económica. Estes resultados refletem escolhas estruturais ao longo das últimas décadas, incluindo a forma como a política de concorrência tem sido desenhada e aplicada, bem como a incapacidade de concretizar plenamente o Mercado Único.

Para os líderes empresariais, esta não é uma questão sectorial ou corporativa. A política de concorrência não é neutra: molda a capacidade da Europa gerar crescimento, financiar o seu modelo social e defender o seu modo de vida. O atual enquadramento tem privilegiado uma lógica de otimização local e de curto prazo - centrada em preço e escolha em cada região - em detrimento de uma visão europeia de médio e longo prazo, colocando em causa a capacidade da Europa competir à escala global.

Neste contexto, os signatários defendem três orientações fundamentais: integrar, nas decisões de concorrência, uma visão europeia - à escala do Mercado Único - e de médio e longo prazo; permitir maior escala empresarial na Europa como condição para competir globalmente; e reduzir a fragmentação regulatória no Mercado Único, assegurando em particular uma avaliação mais centralizada das operações transfronteiriças.

A dimensão do desafio é evidente. Na edição de 2025 do Forbes Global 2000, a maior empresa de origem europeia - a TotalEnergies - surge apenas na 41ª posição mundial, ilustrando a perda relativa de escala global das empresas europeias face aos Estados Unidos e à China.

Os líderes empresariais sublinham ainda que, num contexto internacional cada vez mais exigente, a Europa deve reforçar a sua capacidade de decisão e ação, atuando de forma mais integrada e decisiva nas áreas que dependem exclusivamente de si - como o aprofundamento do Mercado Único e a criação de condições para o crescimento das suas empresas.

Nesse sentido, defendem que a União Europeia deve enviar um sinal claro aos mercados internacionais: a Europa está aberta ao investimento, à consolidação e à concorrência global - em suma, deve afirmar-se inequivocamente como “Open for business”.

A iniciativa é subscrita por 75 líderes empresariais de empresas com presença significativa na economia portuguesa e forte atividade internacional, representando setores como indústria, energia, banca, tecnologia, transportes e telecomunicações.

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Signatários
A. Henriques, Luís Chaves; AAC Têxteis, Paulo Pereira; AgroGrin Tech, Débora Campos; Almina, Humberto Costa Leite; Altri, José Soares Pina; Apolónia, Paulo Apolónia; BA Glass, Carlos Moreira da Silva; Barraqueiro, Humberto Manuel dos Santos Pedrosa; Bcp, Nuno Amado; Bebévida, Luís Castro de Melo; Bebévida, Sérgio Oliveira; Bensaúde, Victor Cruz; Bial, António Portela; Bondalti, João de Mello; BPI, João Oliveira e Costa; Brisa, António Pires de Lima; Casa Relvas, Alexandre Relvas; Cerealis, Pedro Moreira da Silva; Cin, João Serrenho; Corticeira Amorim, António Amorim; Cs’ Associados, Martim Morgado; CTT, João Bento; CUF, Rui Dinis; Dynargie, João Barbosa; EDP, Miguel Stilwell; Etsa, José Augusto Santos; Euroatla, Sandra Ayres; EY, Miguel Farinha; Eyer Partners, Ana Felipa Almeida; Fidelidade, Rogério Campos Henriques; Galp, Paula Amorim; Generali Tranquilidade, Pedro Carvalho; Grupo Casais, António Carlos Rodrigues; Grupo Érre, Ramiro Brito; Grupo Ferpinta, Gonçalo Teixeira; Grupo Rnm, Ricardo Machado; Grupo Sousa, Luís Miguel Sousa; I-Charging, Pedro Moreira da Silva; Indico Capital Partners, Cristina Fonseca; José De Mello, Vasco de Mello; Ltp Labs, Bernardo Almada-Lobo; Luboil, Gustavo Mesquita Guimarães; Lusiaves, Avelino Gaspar; M. Lurdes Monteiro Unipessoal, Lurdes Monteiro; Meivcore, Luís Aguiar; MEO, Ana Figueiredo; MLGTS, Nuno Galvão Teles; Mota-Engil, Carlos Mota Santos; Nabeiro-Delta, Rui Miguel Nabeiro; Nors, Tomás Jervell; Outsystems, Paulo Rosado; Pestana, José Alexandre Lebre Theotónio; REN, Rodrigo Costa; Roland Berger, Pedro Galhardas; Salvador Caetano, Miguel Ramos; Santander, Pedro Castro e Almeida; Semapa, Ricardo Pires; Shaken, Pedro Santa Clara; Siemens, Fernando Silva; Simoldes, Rui Paulo Rodrigues; Sodecia, Rui Monteiro; Sogrape, Fernando Guedes; Soja De Portugal, António Isidoro; Solyd Property Developers, Gonçalo Cadete; Sonae, Cláudia Azevedo; Sovena, Jorge de Melo; Sugal, João Ortigão Costa; Tabaqueira, Hugo Marcelo Nico; Tangor Capital, Rita Silva Domingues; Tmg, Manuel Gonçalves; Transdev, Sérgio Soares; Transearch, Soledade Carvalho Duarte; Trovisco Aires E Carmo, Alexandra Aires Vargas; Vigentgroup, Sérgio Silva; Violas, Manuel Violas; Visabeira, Nuno Marques.