É com elevado sentido de responsabilidade e missão que assumo a presidência da Associação BRP. Estou, juntamente com a restante Direção, empenhado em ampliar a influência e o impacto das nossas propostas e iniciativas na sociedade e no país, de formar a concretizar a ambição de crescimento que reclamamos para Portugal.
Tiago Moreira da Silva lamenta a falta de investimento neste tipo de formação, mesmo porque os jovens que seguem a via profissional trazem "competências e ferramentas práticas que lhes permitem acelerar a entrega de resultados e progredir mais rapidamente" na carreira.
Até para alunos que prosseguem para o ensino superior, "as competências práticas que trazem do ensino profissional são uma mais-valia" que os diferencia. E por isso faz todo o sentido que as empresas adotem "uma abordagem proativa junto das escolas, promovendo iniciativas que aproximem os alunos das profissões para as quais a formação técnica os prepara", a par de "um alinhamento real entre os programas formativos e as necessidades concretas das empresas". Quem defende esta aposta séria no ensino profissional é Tiago Moreira da Silva, licenciado em Engenharia Mecânica pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) e que lidera a BA Glass desde 2024.
O CEO vai por isso abrir as portas da empresa de vidro, cerâmica e concreto a dezenas de miúdos do 9.º ano, no âmbito do PRO’4U – Open Day Ensino Profissional, um ciclo nacional lançado em outubro pela Associação Business Roundtable Portugal (BRP), que reúne 43 dos maiores grupos empresariais portugueses, gerado para trazer valorização ao ensino técnico e profissional como uma via de futuro e aproximar alunos, escolas e empresas. O ciclo de Open Days, que percorre o país em 15 empresas associadas do BRP, de norte a sul do país, mostra aos alunos do 9.º ano o lado prático, humano e inspirador das profissões técnicas, e liga o ensino profissional ao mundo real do trabalho e às empresas que valorizam o “saber fazer”.
E desta vez o interesse foi tanto que a BA Glass vai dar vida não a um mas a dois Open Days, o primeiro a acontecer já amanhã e o segundo na terça-feira, dia 10, com a presença do CEO da empresa, Tiago Moreira da Silva. Com mais de 110 anos de história e uma produção anual de 12 mil milhões de recipientes, a BA Glass opera atualmente em 14 fábricas na Europa e na América do Norte e vende para mais de 70 países. E o CEO é perentório a reconhecer o valor de um ensino mais próximo da realidade empresarial. E explica porquê, nesta entrevista ao SAPO.
"Durante muitos anos, desvalorizou-se o ensino profissional. Foi um erro que cometemos, que felizmente já foi invertido há uns anos, porque precisamos de ter percursos alternativos, adequados ao perfil dos estudantes e que garantam a empregabilidade." A afirmação é do ministro da Educação, Fernando Alexandre, que recentemente reconheceu a importância deste ensino mais especializado, nomeadamente na empregabilidade. A BA Glass emprega muitos destes profissionais?
A BA Glass tem investido, nos últimos anos, em diversas iniciativas com escolas profissionais localizadas nas regiões onde estão localizadas as suas fábricas, com o objetivo de dar a conhecer aos estudantes a realidade do mercado de trabalho. Estas ações procuram apoiar os alunos no processo de escolha da área profissional com que mais se identificam e, em alguns casos, acaba mesmo por resultar na integração de jovens na BA Glass.
E é isso que procura reforçar com este Open Day?
Este Open Day, direcionado a alunos do 9.º ano que em breve terão de escolher o seu percurso formativo, pretende contribuir para essa tomada de decisão, sim. Naturalmente, gostaríamos que muitos se identificassem com a realidade que irão conhecer ao longo desta visita; no entanto, consideramos igualmente positivos os casos em que isso não acontece, pois significa que estes jovens sairão deste dia mais próximos de descobrir a área que verdadeiramente corresponde aos seus interesses e motivações.
Provavelmente, esses serão poucos, a julgar pelo interesse demonstrado na iniciativa promovida pela BA Glass, no âmbito do Open Days PRO' 4U... aé foi preciso fazer Open Day em dose dupla, um ja nesta sexta-feira, outro do dia 10. A BA Glass está numa posição privilegiada para abrir as portas a estes jovens, é o tipo de empresa que pode beneficiar muito deste interesse e que pode acolher também as ambições desses jovens?
O elevado número de jovens que recebemos é um sinal claro de que estamos no caminho certo. Reconhecemos que a BA Glass não parte de uma posição particularmente privilegiada, mas temos realizado, de forma consistente, um trabalho contínuo de aproximação às escolas e de divulgação da nossa proposta de valor. Quanto à ambição dos jovens, a BA Glass dispõe, de forma sólida e comprovada, de inúmeras oportunidades em diferentes áreas, capazes de responder às aspirações e expectativas das novas gerações.
Que tipo de condições, incluindo soft rewards, como a possibilidade de envolvimento em projetos, de aprendizagem, de trabalho com equipas especializadas, de inovação e orientação ESG, etc., diria que fazem da empresa um alvo apetecível para quem procura trabalho?
A BA Glass pode destarcar-se pelos soft rewards que oferece: oportunidades reais de aprendizagem com equipas especializadas que atuam como coaches, mentores e tutores; um forte investimento em formação e desenvolvimento contínuo; e a possibilidade de participar em projetos de inovação e digitalização que transformam a indústria. Promovemos também autonomia e envolvimento através do nosso Programa de Sugestões, onde qualquer trabalhador pode contribuir com ideias de melhoria. Tudo isto integrado numa empresa com uma forte orientação ESG, que valoriza o impacto positivo no setor e na sociedade. Estas condições fazem da BA Glass um lugar atrativo para quem procura crescer, aprender e fazer a diferença.
E podemos também apontar vantagens salariais a quem traz uma capacidade profissional quando chega ao mercado de trabalho, por comparação de quem apenas tem o lado mais teórico?
A evolução salarial está sempre associada à meritocracia e, nessa perspetiva, reconhecemos que os alunos que seguem o ensino profissional trazem consigo competências e ferramentas práticas que lhes permitem acelerar a entrega de resultados e, consequentemente, progredir mais rapidamente.
Seria importante haver uma maior integração entre a tutela, as escolas e o tecido empresarial local, para promover mais “educação com emprego” e até pelo potencial de desenvolvimento e coesão económica e territorial que uma maior atratividade a empresas fora dos grandes centros urbanos pode trazer?
O distanciamento entre as escolas e o tecido empresarial é um problema crónico, para o qual infelizmente não temos observado progressos significativos nos últimos anos. No terreno, constatamos que muitas das iniciativas neste âmbito partem essencialmente das empresas e, ainda assim, enfrentam frequentemente barreiras difíceis de ultrapassar. Um exemplo concreto é a dificuldade que algumas escolas têm em assegurar transporte para que os alunos possam participar em atividades nas empresas, dependendo muitas vezes de verbas atribuídas pela tutela ou da disponibilidade das autarquias para garantir este serviço.
Este tipo de obstáculos é incompatível com a importância que deveria ser atribuída à aproximação entre escolas e empresas — uma relação fundamental para preparar melhor os jovens para o futuro e para responder às necessidades reais do mercado de trabalho.
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