É com elevado sentido de responsabilidade e missão que assumo a presidência da Associação BRP. Estou, juntamente com a restante Direção, empenhado em ampliar a influência e o impacto das nossas propostas e iniciativas na sociedade e no país, de formar a concretizar a ambição de crescimento que reclamamos para Portugal.
À frente de um grupo com quase 65 anos, presença em mais de 70 países e uma forte vocação exportadora, o gestor rejeita qualquer tentação de acomodação. “Não nos devíamos comparar com os nossos concorrentes. Os meus concorrentes estão no mundo inteiro, não são os meus vizinhos”, afirma, resumindo uma visão empresarial assente em escala, foco e ambição.
Mais do que falar de crescimento, João Ortigão Costa insiste numa mudança de atitude. “Gostaria de deixar como legado lutar contra o fatalismo português”, sublinha o homem que lidera os destinos do grupo agroindustrial focado na transformação de tomate. Para o CEO, há uma tendência para desvalorizar o que é possível fazer a partir de Portugal e isso acaba por limitar o próprio potencial das empresas.
“O nosso sucesso ou o insucesso está nas nossas mãos”, assegura, enquanto defende uma cultura de responsabilidade individual e coletiva dentro das organizações. Num contexto global cada vez mais competitivo, diz, não há espaço para desculpas fáceis: é a capacidade de execução que separa quem cresce de quem fica para trás.
A mesma lógica aplica-se à forma como encara a inovação e a gestão do negócio. “A inovação não é um decreto, a inovação é uma coisa que se constrói”, afirma, lembrando a importância de ouvir o mercado e melhorar continuamente processos e produtos. Mais do que grandes ruturas, o que sustenta o crescimento é, muitas vezes, a consistência e a capacidade de adaptação.
João Ortigão Costa não tem dúvidas de que pensar em grande não é, nem pode ser, um slogan, mas antes uma disciplina que é importante manter. Para isso, refere, é preciso ambição e realismo, foco e abertura ao mundo. “Temos um mundo muito grande lá fora e temos que explorar esse mundo e não nos deixarmos viver aqui neste pequeno burgo”, defende, desafiando as empresas portuguesas a posicionarem-se sem complexos num mercado verdadeiramente global.