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Comunicado de imprensa

Líderes das maiores empresas em Portugal menos otimistas em relação à economia nacional, emprego e investimento


– Líderes empresariais da Associação BRP esperam que os próximos meses sejam caracterizados por uma estabilização do seu negócio e redução moderada da economia nacional

– Emprego e investimento devem retrair-se face ao contexto económico adverso, alertam os inquiridos

– Guerra, crise energética e inflação apontados como os maiores riscos de curto prazo para as suas empresas e para a economia nacional

 
Lisboa, 19 de janeiro de 2023 – A Associação Business Roundtable Portugal divulgou os resultados do seu mais recente “Índice de Clima de Negócio e Económico BRP’, que avalia a evolução do sentimento dos líderes das 42 grandes empresas e grupos empresariais da Associação BRP relativamente ao ambiente económico do país e de negócio das suas empresas, incluindo as perspetivas a curto/médio prazo.

De acordo com os resultados do índice – composto por uma escala de -2 (redução acentuada) a 2 (crescimento acelerado) -, os líderes empresariais estão menos otimistas em relação ao desempenho da economia nacional, face a abril de 2022, perspetivando uma redução moderada da atividade económica no curto prazo, confirmada pela queda de 0,57 pontos, que colocou o índice em terreno negativo (-0,47 pontos).

Relativamente ao desempenho do seu próprio negócio os líderes acreditam que, apesar da ligeira melhoria do cenário de crescimento moderado verificado (0,77 para 0,81), os próximos meses sejam de estabilização do negócio consubstanciando um cenário menos positivo (0,63 para 0,25).


 
Quando analisados os fatores que impactam diretamente o crescimento atual do negócio, observa-se uma melhoria dos índices de vendas destas empresas face a abril passado, graças à evolução positiva, mas moderada, das vendas no mercado interno (0,47 para 0,56) e sobretudo ao contributo do mercado externo (0,70 para 0,72). Contudo, os inquiridos acreditam que ambos os fatores deverão sofrer uma estabilização nos próximos meses. Digno de nota, a variação negativa da perspetiva de evolução a 6 meses das vendas ao exterior (0,72 para 0,22).

Destaque menos positivo para o emprego e para o investimento, que têm vindo a evoluir negativamente nos últimos meses e cujas perspetivas são já de ligeira  redução a curto prazo. O emprego desce de 0,17 em abril para os 0,09 em outubro de 2022, entrando em terreno negativo a 6 meses. Quanto ao investimento, a tendência é de descida é mais significativa, caindo dos 0,53 para os 0,31 pontos, ainda que globalmente se mantenha marginalmente positivo (+0,03).

Sobre o cenário económico nacional, as perspetivas dos gestores são ainda mais desfavoráveis, assinalando-se a degradação de todas as variáveis em análise face a abril de 2022, quer no imediato, quer para o horizonte a curto/médio prazo. Nas vendas no mercado interno, o índice atual situa-se nos 0,16 pontos, indicando uma estabilização, mas refletindo uma descida de 0,37 pontos face há 6 meses. Na previsão a curto prazo passa de 0,07 para -0,53, o que para além de indicar uma expectativa já de redução, representa uma queda substancial de -0,60 pontos. Semelhante realidade é verificada nas vendas ao exterior, cujo índice evolui dos 0,37 para os 0,22 no cenário atual (estabilidade com ligeira redução), mas degrada-se significativamente (-0,61 pontos) e entra em terreno de contração, passando dos 0,23 para -0,38, na perspetiva futura.

Em relação ao emprego, a evolução do índice face a abril é igualmente negativa, passando de 0,43 para 0,06, com os inquiridos a anteciparem uma redução moderada a curto prazo (0,03 para -0,47). O investimento regista a maior variação do índice (-0,73 pontos nas expetativas a 6 meses) e os passaram para valores negativos indicando a expetativa de redução do investimento.

Segundo Pedro Ginjeira do Nascimento, Secretário-Geral da Associação BRP, “os dados apresentados traçam um ano de 2023 mais desafiante para as empresas e sobretudo para a economia nacional, com indicadores fundamentais para o crescimento, como o emprego e o investimento, a terem uma perspetiva de estabilização ou até mesmo de decréscimo a médio-prazo. Um cenário mais exigente que reforça o sentido de urgência em se adotarem medidas que tornem as empresas e a economia mais fortes, e favoreçam a criação de riqueza.”

“A adoção de boas práticas de governance e de gestão adequados podem ser, por exemplo, formas de as empresas anteciparem riscos e se tornarem mais robustas. As expetativas mais positivas dos líderes relativamente ao desempenho das suas organizações do que da economia nacional parecem indicar isso mesmo, ou seja, que as grandes empresas, por terem um maior nível de preparação e resiliência, têm capacidade para antecipar e aguentar o ciclo económico menos favorável.”

“Gostaríamos que fosse esta a situação da generalidade das empresas em Portugal, mas infelizmente não é. Este foi, aliás, um dos motivos que nos levou a desenvolver com o IPCG o programa Metamorfose e a disponibilizar instrumentos de apoio ao crescimento das PME nacionais”, conclui.

Guerra, crise energética e inflação marcam a agenda das empresas

Por fim, a 2ª edição do ‘Clima de Negócio e Económico BRP’ mede ainda o pulso dos gestores em relação aos principais riscos com impacto nas organizações e na economia. Sem surpresas em relação ao relatório anterior, o conflito entre a Ucrânia e a Rússia, o custo da energia e a inflação continuam a ser os fatores externos que os líderes da Associação BRP consideram vir a impactar mais os seus negócios e a economia nacional.

Deste top 10, o destaque vai ainda para a logística, que para as empresas sobe quatro posições (para 6º lugar), enquanto para a economia desce para 9º lugar face a abril passado; e para a falta de mão de obra qualificada que escala cinco posições para o 4º lugar nos riscos para a economia, igualando a posição dos riscos para o negócio dos inquiridos.



“Neste tipo de inquéritos de conjuntura é natural que as empresas valorizem os riscos mais imediatos e imprevisíveis, em detrimento de outros mais estruturais, relacionados com a fiscalidade, burocracia e justiça, que estão sob o domínio do Estado e que continuam a travar o desenvolvimento económico e social do país. Precisamos de um sentido de urgência para a mudança, espírito que concretize a oportunidade que uma legislatura com maioria absoluta, o PRR e os restantes fundos comunitários nos dão para modernizar os serviços do Estado e reduzir os custos de contexto”, adianta Pedro Ginjeira do Nascimento.

 
O relatório ‘Clima de Negócio e Económico BRP’ é um estudo semestral desenvolvido pela Associação BRP junto dos seus associados, com o objetivo de conhecer a opinião dos decisores empresariais em relação ao atual ambiente económico do país, situação de negócio e expectativa de crescimento das suas organizações.

Aceda aqui ao relatório completo.

Aceda ao comunicado (PDF) Aceda aqui ao Relatório


Para mais informação, contacte:

Miguel Jerónimo

mvj@abrp.pt


Sobre a Associação Business Roundtable Portugal

A Associação Business Roundtable Portugal (Associação BRP) constitui-se como uma instância independente e de exercício do dever de cidadania das empresas associadas, das suas lideranças, e não de defesa dos seus interesses, ainda que legítimos. A Associação é composta por 42 líderes de empresas e grupos empresariais relevantes pelo seu valor acrescentado, emprego, investimento e contributo genérico para Portugal. Integra setores de atividade económica diversos, localizações geográficas diferentes e empresas em fase de desenvolvimento distintas. O conjunto dos líderes empresariais é representado por uma direção composta por nove membros, nomeados numa base rotativa, em mandatos de três anos.

Mais informações em www.abrp.pt