É com elevado sentido de responsabilidade e missão que assumo a presidência da Associação BRP. Estou, juntamente com a restante Direção, empenhado em ampliar a influência e o impacto das nossas propostas e iniciativas na sociedade e no país, de formar a concretizar a ambição de crescimento que reclamamos para Portugal.
Neste período, as economias dos países concorrentes , com a exceção de Itália, Espanha e Grécia, registaram progressos assinaláveis, entre os 34,7p.p. e os 9,3p.p., demonstrando maior capacidade de convergir com a UE.
Neste sentido, o relatório refere que “em termos relativos, a posição de Portugal no ranking da produtividade por hora trabalhada deteriorou-se marcadamente desde 2000, caindo da 17ª posição para a 24ª posição entre os 27 estados-membros da União Europeia”.
O documento identifica quatro principais bloqueios à produtividade: sub-investimento crónico público e privado, setores de reduzido valor acrescentado e de baixos salários dominam a criação de emprego, a predominância de empresas com pouca escala no tecido empresarial e elevados custos de contexto.
Uma economia com quase pleno emprego e baixos salários
A imigração constituiu uma das principais razões para o aumento do emprego em Portugal, havendo 1,1 milhões de trabalhadores estrangeiros por conta de outrem .
Segundo a análise do BRP, a economia portuguesa apresenta uma capacidade limitada em gerar emprego qualificado. Entre 2011 e 2024, analisando 12 setores de atividade económica, foram criados 684,357 postos de trabalho, com um valor acrescentado bruto (VAB) médio anual de €40,4 mil euros. Mas cerca de 60% do emprego foi criado em setores de atividade com um VAB médio anual de apenas €31,7 mil euros, tais como as atividades administrativas, alojamento e restauração, agricultura e pesca, e construção. O relatório sublinha que, quando o crescimento se concentra nestas atividades, o efeito agregado sobre a riqueza do país permanece limitado.
O aumento da produtividade pode passar pelo reforço do peso das tecnologias de informação e comunicação (TIC) na economia. Segundo o “Comparar para Crescer”, as “TIC combinam forte criação de emprego, com mais de 81 mil novos postos de trabalho, com produtividade elevada e maior capacidade remuneratória”. Com um VAB por trabalhador de €61,8 mil euros, as TIC são “um exemplo de crescimento setorial que contribui simultaneamente para o emprego, para a criação de valor e para a melhoria da produtividade agregada”.
O relatório alerta ainda que a subida do salário mínimo, embora positiva, está a gerar uma severa compressão salarial por não ser acompanhada de ganhos proporcionais na produtividade e na criação de valor. Esta dinâmica está a comprimir os salários em Portugal, limitando a capacidade das empresas para diferenciarem o mérito e reterem talento qualificado. Os dados revelam o impacto desta armadilha da baixa produtividade: cerca de 21% dos contratos por conta de outrem celebrados em 2024 tinham como remuneração o Salário Mínimo Nacional, o que contrasta de forma expressiva com os 5% registados em 2002.
O documento identifica ainda o subinvestimento crónico, a reduzida dimensão das empresas portuguesas e custos de contexto, como a burocracia e a energia, enquanto bloqueios estruturais à produtividade. A economia nacional continua dependente de um tecido fragmentado, onde as microempresas representam 93,1% do total, enquanto as grandes empresas correspondem a uns meros 0,3%. O número elevado de empresas de dimensão reduzida asfixia a capacidade de crescimento, visto que as microempresas geram apenas 26 mil euros de Valor Acrescentado Bruto (VAB) por trabalhador. Em claro contraste, as grandes empresas geram 63 mil euros de VAB por trabalhador, possuindo a escala e a capacidade necessárias para investir, incorporar tecnologia e, consequentemente, pagar salários mais elevados.
As soluções do BRP
Para superar estes bloqueios e inverter a trajetória de estagnação, o BRP recomenda uma atuação coordenada assente em três prioridades fundamentais. Primeiro, aumentar o investimento produtivo através de um enquadramento regulatório que torne os processos de licenciamento mais estáveis e previsíveis. Segundo, promover o crescimento das empresas através da remoção de obstáculos e melhorar as condições para a sua capitalização. Terceiro, valorizar o fator trabalho, apostando cada vez mais na promoção de empregos qualificados, em setores tecnológicos e aliviando o tratamento fiscal da progressão salarial.
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