É com elevado sentido de responsabilidade e missão que assumo a presidência da Associação BRP. Estou, juntamente com a restante Direção, empenhado em ampliar a influência e o impacto das nossas propostas e iniciativas na sociedade e no país, de formar a concretizar a ambição de crescimento que reclamamos para Portugal.
Liderar uma empresa com mais de cinco séculos de história é, para João Bento, um exercício permanente de adaptação. No novo episódio do Pensar em Grande, uma parceria entre o ECO e a BRP – Associação Business Roundtable Portugal, o presidente dos CTT resume o desafio com uma ideia que, internamente, gosta de repetir: “Somos uma startup com mais de 500 anos”.
A expressão pode soar a paradoxo, mas ajuda a explicar a visão do gestor sobre uma empresa que começou por transportar correio a cavalo, passou pelo barco, pelo comboio e pelo avião, e hoje tenta afirmar-se num mercado dominado pela digitalização, pelo comércio eletrónico e pela logística internacional.
“O desafio principal é garantir que somos capazes de continuar a enfrentar os desafios das alterações sociais e do comportamento das empresas e das pessoas”, afirma João Bento. A transformação, sublinha, sempre fez parte da história dos CTT, a diferença é que “o ritmo é hoje muitíssimo mais elevado”.
Esse ritmo acelerado teve um duplo efeito de, por um lado, provocar “um declínio acentuadíssimo” do negócio tradicional do correio. Por outro, permitiu abrir espaço para o crescimento das encomendas e do comércio digital. “Operamos hoje com cerca de 25% do correio que já tivemos. E nestes sete anos em que cá estive, o correio caiu para metade, em termos de volume”, recorda.
É neste contexto que surge a aposta em Espanha, uma decisão que, segundo João Bento, foi decisiva para o futuro do grupo. Quando chegou aos CTT, conta, havia pressão para vender ou fechar a operação espanhola. O gestor recusou esse caminho por considerar que o mercado português não seria suficiente para substituir a quebra estrutural do correio. “Era decisivo para nós não só dar a volta à Espanha, como depois fazer crescer a Espanha”, afirma.
Hoje, diz, “a operação de expresso em Espanha já é maior do que a portuguesa” e “também mais rentável”. O passo seguinte é ainda mais ambicioso e implica chegar à liderança ibérica, em parceria com a DHL. “Decidimos abordar a DHL, que é nada menos do que o maior operador do mundo, 60 vezes maior que o CTT”, afirma João Bento, que descreve a operação como “um bom exemplo de pensar em grande”.
Para o presidente dos CTT, pensar em grande não é apenas crescer por crescer, mas ter “ambição consciente” e vontade de “chegar a sítios que não são aparentemente atingíveis”. No caso dos CTT, essa ambição passou por escolher um alvo maior quando a empresa podia ter seguido uma rota mais prudente. “Podíamos ter olhado para alvos mais pequenos, resolvemos pensar em grande”.
A conversa, moderada pelo COO do ECO Diogo Agostinho, passa também pelo estilo de liderança de João Bento, que se define como exigente, rigoroso e marcado por um certo inconformismo. “Acho mesmo que é sempre possível fazer melhor. Não basta fazer bem, porque podemos sempre fazer melhor”, diz. Essa exigência, acrescenta, começa em si próprio. “Sou muito exigente comigo próprio e, portanto, acho que isso me dá legitimidade para ser exigente com os outros”.
Prestes a deixar funções executivas no final do mandato, que termina no final de abril, João Bento diz sair satisfeito com o impacto que teve na empresa, que antes se deparava com “um futuro ameaçado” e que se transformou num grupo mais internacional, com novas geografias e mais capacidade de crescer.
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