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28.04.2026 | Comunicados - BRP

Salário médio dos portugueses continua 38% abaixo da média da União Europeia

A remuneração média anual em Portugal subiu 7% em 2024 face ao ano anterior, para €24,8 mil euros, segundo o relatório “Comparar para Crescer – Indústria, Investimento, Salários, Escala e Energia”, promovido pela Associação Business Roundtable Portugal com dados referentes àquele ano.
Salário médio dos portugueses continua 38% abaixo da média da União Europeia

Apesar do incremento de €1.600 euros entre 2023 e 2024, o salário médio dos portugueses continuava 38% abaixo da média salarial da União Europeia (UE), que se cifrou em €39,800. Em termos absolutos, trata-se de uma diferença de €15.000. Significa que, tomando o salário médio portugûes como referência, um trabalhador médio na UE ganha cerca de 60% mais do que um trabalhador médio em Portugal.

O relatório, disponível na plataforma Comparar para Crescer do BRP, refere ainda que o salário médio nacional praticado naquele ano ficou cerca de 6% abaixo do que foi praticado pelos países concorrentes, isto é, um grupo que integra oito economias da UE composto por Espanha, Eslovénia, Estónia, Grécia, Hungria, Itália, Polónia e República Checa, cuja remuneração média atingiu os €26.300 euros em 2024, mais €1.500 euros do que em Portugal.

No documento, o BRP conclui que um dos fatores que explica o fosso salarial entre Portugal e a UE prende-se com a estrutura social do emprego. “Nos últimos anos, o crescimento do emprego tem sido particularmente forte em setores que, apesar do forte crescimento salarial, têm remunerações médias mais baixas.”

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Convergência salarial com a UE passa pelos setores com mais conhecimento
A convergência salarial portuguesa com a UE depende, sobretudo, do reforço do peso na economia nacional de setores de atividade assentes em conhecimento, defende o BRP. Neste contexto, o setor das tecnologias de informação e comunicação (TIC) é o que melhores salários paga em Portugal – acima dos €40 mil euros –, sendo que teve um aumento de 42% no número de trabalhadores entre 2020 e 2024.

“Este padrão evidencia um ponto central para a competitividade económica: a convergência salarial sustentável depende, sobretudo, da capacidade de aumentar o peso relativo dos setores mais produtivos e intensivos em conhecimento. Mais do que aumentos salariais isolados, é a transformação da estrutura produtiva que permitirá elevar de forma consistente o nível médio das remunerações”, lê-se no documento.

Entre os setores com as melhores remunerações em Portugal, além do setor das TIC, o BRP identifica Energia & Ambiente, e Transporte, (ambos com salários médios de €33 mil euros), a industria (€25,8 mil euros).

Indústria como motor de convergência económica
O relatório analisa o perfil empresarial por setor em Portugal de acordo com quatro critérios – volume de negócios, Valor Acrescentado Bruto (VAB), exportações e número de empregados. Neste capítulo, entre os setores de atividade económica individualmente analisados pelo BRP, a indústria tem um peso muito relevante na convergência da economia portuguesa com a UE.

Concretamente, a indústria é responsável por mais de 23% das receitas geradas pelas empresas em Portugal, por 50% das exportações da economia nacional e é o setor com gera o maior VAB (20,4%), sendo que emprega, em média, dois em cada dez trabalhadores.
“Num contexto internacional marcado pela reorganização das cadeias de valor e pela estratégia europeia de reindustrialização, esta posição ganha particular importância. Para Portugal, reforçar a base industrial significa não apenas produzir mais, mas também consolidar empresas com escala, capacidade tecnológica e maior integração nas cadeias de valor internacionais”, destaca o relatório do BRP.

Ainda sobre a indústria, o relatório do BRP destaca que “a evolução da estrutura empresarial em Portugal torna necessário o aumento do peso relativo dos setores e das empresas que combinam criação de valor, capacidade exportadora e melhores salários. A industria surge como um setor estratégico para acelerar a convergência económica e melhorar a qualidade do emprego”.